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Um discurso ao abandono 1987-1988

Um discurso ao abandono

Reviver a importância do transporte ferroviário abandonado em nosso país, penso ser uma questão importante, e não somente poética.

Repensar a importância da nossa história, registrar e preservar. Trabalhei o tema porque me apaixonei no primeiro instante em que vi o deserto de máquinas adormecidas, se degenerando no tempo na estação de Carlos Gomes. Questionei sobre os interesses, sobre o amor, a solidão, passado, presente, progresso, vida e morte.

Imaginando um passado efervescente, pessoas, vozes, sobrepondo-se ao vazio e ao silêncio, clima de sonho irreal, fui me perdendo pelos caminhos, por estradinhas de terra em busca de estações perdidas dentro das fazendas.

Percorrendo as estações ativadas e desativadas da região, a linha férrea que no final do século foi usada como principal meio de transporte do café ao porto de Santos, documentei através da pintura, do desenho, gravura, fotos, vídeo e textos o estado de abandono, as estações em ruínas e a solidão das locomotivas, as sucatas dos vagões se deteriorando no tempo e o silêncio dos trilhos.